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Quarta-feira, Julho 28, 2004
MEU MCLAREN PRECISA EMAGRECER
"Espero que a situação do campeonato esteja favorável a mim quando esta coluna estiver lida. A competitividade
na Fórmula 1 está cada vez maior. Do jeito que as coisas iam após os GPs da França e Inglaterra,não tinhamos chance
de brigar pelo título mundial. Precisamos de um motor bem mais potente
e de maior confiabilidade. O novo Spec 3, entergue pela Honda em Silvestone, não apresentou nenhum avanço em relação ao
Spec 2. Mesmo esticando ao máximo todas as marchas, o Mansell passou por mim como se tivesse um turbo e eu, um simples
aspirador. Nem tentei resistir, porque estava claro que não tinha comparação.
Além disso, acho que temos um problema enorme com o sistema de computação. Na França, onde conquistei um importante
terceiro lugar e quatro pontos vitais, o computador dizia que eu já não tinha mais uma gota de combútivel a duas voltas do final.
Na Inglaterra, o oposto; tudo indicava que eu ainda tinha o suficiente para terminar folgado, e o que aconteceu?
Parei na última volta. O painel garantia que estava tudo normal e, mais tarde, foi confimado que acabou mesmo a gasolina. Nestas
duas provas, ambas vencidas pelo Mansell, ficou provado que o Williams Renault já adquiriu a confiabilidade que estava
faltando. Parecia imbatível. Nosso problema não está apenas na potência. O motor V12 da Honda é extremamente pesado.
Isso significa que temos de tirar peso do carro em outras partes, mas existe um limite. Não há mais o que fazer. Precisamos arrancar
do Spec 3 da Honda, na prática, a vantagem que ele tem teoricamente.
Parece que perdi espaço para respirar com o avanço da Williams- e pricipalmente do Mansell, que estragou a festa dos franceses
em Magny-Cours (isso é coisa que se faça?) e quiase levou seus compatriotas à loucura com a vitória em casa. Até então, os vencedores
tinham se alterado e nós estávamos ganhando tempo para evoluir com calma. Agora é muito mais difícil recuperar terreno, porque eles não vão parar
de evoluir. Nosso chassi também precisa melhorar. Mudanças na aerodinâmica e na suspensão estão previstas para breve. Mas nesse campo é muito mais complicado.
Modificações no mortor são mais simples. Não é tão difícil aumentar a potência, mas é fundamental que não se comprometa a resistência.
O motor do Berger quebrou na prova francesa e o meu, na véspera, além de eu ter sido obrigado a fazer uma troca de motores no dia da corrida.
Em Silverstone, o Berger teve uma quebra do Spec 3, no sábado. Incrível! Outro ponto no qual o nosso carro não ajuda nada diz respeito ao aspecto físico.
O MP 4/6 anda muito duro por causa da falta de equilíbrio. O fato de não termos um câmbio semi-automático é irritante. Força demais o meu braço direito. Termino as corridas quebrado.
Para terminar, eu gostaria de registrar um episódio triste para mim em Silverstone. Quando alcancei o Andrea de Cesaris fiquei umas seis voltas atrás dele e ele não me deu passagem.
Meu motor não andava nas retas e nas curvas ele não me deixava passar. Foi um absurdo. E a tal comissão que analisa o comportamento dos pilotos? Pena que eu não tenha boas notícias para você dessa vez.
Mas no ano passado também brigamos sem o melhor carro, só torço para que encontremos respostas rapidamente e possamos vencer, pelo menos, umas duas corridas. É o campeonato, claro".
Ayrton Senna
Agosto de 1991
fonte: 4 Rodas
edição 373 -
postado por Lena Bello - 11:07 PM]
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Segunda-feira, Julho 26, 2004
CORREDOR
Os feitos do piloto Ayrton Senna todos conhecem. Nas pistas, era imbatível, perfeccionista. Fora delas, um exemplo para os mais jovens e a alegria de viver para muitos. O que poucos sabem é que Senna também era um corredor, e dos bons
1984. Pista de atletismo da Cidade Universitária, São Paulo. Magro, camisa pólo amarela, boné do patrocinador na cabeça, short de jogar tênis, o jovem ia lentamente ganhando velocidade. Já era uma das promessas do automobilismo mundial, estava entrando na Fórmula 1 e também no mundo das corridas. Verdade que não se tornou um velocista nem maratonista, mas talento para isso ¿ e para tudo o que fez ¿ tinha de sobra. Depois de dez voltas, Ayrton Senna parou, ofegante: ¿Preciso melhorar¿. Sempre foi assim, buscava a perfeição. E conseguiu.
Ele sabia que precisava de ajuda para superar essa deficiência e encontrou na corrida uma forte aliada para manter-se em forma e melhorar o condicionamento físico, e foi apresentado ao preparador Nuno Cobra, que fez uma avaliação física e passou a orientá-lo quando estava no Brasil, geralmente na pista de atletismo do Cepeusp, na Cidade Universitária, São Paulo.
¿Quando fazia uma curva longa, por exemplo, prendia a respiração e, após a saída da curva, sentia que a freqüência cardíaca subia muito e eu ficava ofegante. Com o trabalho aeróbico, passei a respirar normalmente enquanto pilotava o carro e isso me deixava mais relaxado, suportando melhor a aceleração lateral¿, disse ele certa vez.
Muitos duvidavam de sua boa condição física, principalmente depois do GP do Brasil de 1991 , quando ele mal conseguiu reunir forças para levantar o troféu de vencedor no pódio. Tinha terminado a corrida completamente exausto. Mas, na realidade, o que aconteceu foi que Senna pilotou seu McLaren nas últimas 20 voltas segurando o carro com o câmbio engatado em sexta marcha, já que ele havia quebrado, e o peso do volante era ainda maior nas curvas de baixa por causa da pouca tração que tinha.
¿Estava com dor física no braço, não esgotado fisicamente¿, justificou-se Senna.
Tudo o que fazia exigia perfeição. Correr não seria diferente.
A primeira providência foi realizar uma avaliação física no laboratório de ergoesperimetria da Faculdade de Educação Física da USP para poder saber exatamente quais eram suas condições físicas e como ele poderia melhorá-las.
Munido de um relógio indicador de freqüência cardíaca (que ele utilizava sempre em suas corridas para monitorar os batimentos do coração), Senna treinava diariamente. Corria nos parques e nas ruas. Em São Paulo, na serra da Cantareira, onde morava, ou na fazenda em Tatuí; em Mônaco ou em Portugal, na cidade de Algarve, seu refúgio quando estava na Europa.
Senna sempre encontrava um tempo para correr. Mas o lugar de que ele gostava mesmo de correr era em Angra dos Reis, na praia ou no terminal da Petrobrás, que ele tinha autorização especial para utilizar. E, quanto mais quente estivesse o dia, melhor; somente assim ele conseguia atingir um condicionamento físico ideal para suportar as altas temperaturas que encontrava no cockpit de seu Fórmula 1 (o circuito de corridas da Fórmula 1 geralmente coincide com o verão nos países onde são realizadas as provas).
Ele corria no máximo duas horas, que era o tempo médio que durava um Grande Prêmio, sempre num ritmo forte, já que sua pulsação máxima era de 185 bpm, e Senna costumava trabalhar entre 150 e 160 bpm, ou seja, num ritmo mais confortável.
Desafios
Ayrton Senna gostava de desafios. Em qualquer área. E, invariavelmente, vencia.
Na festa de inauguração do kartódromo que havia mandado construir em sua fazenda em Tatuí, São Paulo, Senna deu um show de pilotagem. Largou em último e chegou em 2o lugar. Só não venceu porque um dos competidores o jogou para fora da pista algumas voltas antes do fim. Poucos se lembram de que o vencedor dessa corrida foi o então jovem talento Tony Kanaan, que hoje corre nos Estados Unidos e que era uma das revelações do kartismo nacional no início da década de 90.
Na véspera da prova, depois de treinar com o kart que usaria no dia seguinte, Senna calçou o par de tênis, colocou um velho mas confortável short e seu freqüencímetro e saiu para correr durante uma hora sem parar. Reapareceu depois nos boxes do kartódromo transpirando, mas feliz de ter cumprido o treino em condições extremas.
"Correr a pé é uma das coisas que me dão prazer. Sinto meu corpo trabalhando, o coração pulsando, às vezes mais forte quando encontro uma subida ou mais confortável na descida. É essa sensação que gosto de sentir; além do mais, correr é um dos melhores exercícios para os pilotos de automobilismo¿, contou Ayrton Senna enquanto se alongava lentamente.
Mas ainda faltava um desafio para Ayrton Senna: correr em uma prova pedestre.
Durante a temporada de Fórmula 1, era praticamente impossível participar de uma prova por causa do ritmo intenso de treinamentos, compromissos com patrocinadores ou viagens constantes. Como ele não gostava de acordar muito cedo, sua corrida era feita sempre com o sol a pino, horário pouco recomendado. E, quando estava no Brasil de férias, ele se refugiava em Angra dos Reis para curtir o mar, o sol e os esportes aquáticos, principalmente o jet ski, equipamento que pilotava com destreza.
postado por Lena Bello - 3:54 PM]
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Sexta-feira, Julho 23, 2004
Dinheiro é um negócio curioso. Quem não tem, está louco para ter, e quem tem, está cheio de problemas por causa dele."
"Convivo com o medo de morrer e ele me fascina."
"Lutei muito para sentar naquele carro, para estar ao lado de Frank Williams, as estou sentindo que vai dar trabalho. Ou eu não me adaptei ao carro, ou o carro não foi com a minha cara."
"Cheguei onde cheguei porque tive a oportunidade de crescer bem, em um bom ambiente familiar, de viver bem, sem problemas econômicos e de ser orientado no caminho certo nos momentos decisivos da minha vida."
"A Fórmula 1 é um tempo perdido se não for para vencer."
"O kart me deu muitos momentos de prazer e excelentes recordações. Nunca uma pilotagem foi tão divertida e ali aprendi muita coisa. Muito do que aprendi na F-1 são provenientes do aprendizado nos karts."
"Meus ídolos como pilotos sempre foram Niki Lauda e Giles Villeneuve. O primeiro pela frieza e Villeneuve pela agressividade."
"Vocês nunca conseguirão saber o que um piloto sente quando vence uma prova. O capacete oculta sentimentos incompreensíveis."
"Ele (Deus) é dono de tudo. Devo a Ele a oportunidade que tive de chegar onde cheguei. Muitas pessoas têm essa capacidade, mas não têm a oportunidade. Ele a deu para mim, não sei porquê. Só sei que não posso desperdiçá-la."
"Brasileiro só aceita título se for de campeão. E eu sou brasileiro."
"Não tenho limites. Estou com 33 anos e acho que tenho muita pela frente."
"Nestes dez anos de Fórmula 1, minhas maiores alegrias vieram da torcida do Brasil."
"Hoje gosto muito mais de crianças do que gostava um ou dois anos atrás. É mais fácil se comunicar com uma criança. Basta trocar um olhar, um gesto, um sorriso."
"Não sei dirigir de outra maneira que não seja arriscada. Quando tiver que ultrapassar, vou ultrapassar mesmo. Cada piloto tem um limite. O meu é um pouco acima do dos outros."
"Adrenalina é o meu combustível."
"Não construí a imagem de bonzinho sozinho. Muita gente me ajudou. Mas não há marketing que sustente um blefe. Tenho uma boa imagem porque sou uma pessoa boa."
"Uma única vez, em toda a minha vida, senti lá dentro o desejo de ter uma nova família. Uma única vez, em toda a minha vida, sonhei em ter uma criança. Foi com ela... Com a Xuxa."
"O importante é ganhar. Tudo e sempre. Essa história que o importante é competir não passa de demagogia."
postado por Lena Bello - 3:37 PM]
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Segunda-feira, Julho 19, 2004
DANDO CONTINUIDADE AS MATÉRIAS QUE O SENNA ESCREVEU PRA "QUATRO RODAS"
"EU PARECIA UM TATU SAINDO DA TOCA"
" Esses dois Grandes Prêmios, Canadá e México, foram mesmo difíceis para mim.
Em Montreal, depois de ser pole e vencer as quatros corridas anteriores, meu MP 4/6 se monstrou bem inferior aos da Williams e, além de não conseguir largar na primeira posição, tive problemas elétricos e abandonei a prova. Isso, porém, serviu para comprovar a todos o que eu já vinha dizendo desde o inicio da temporada: o campeonato vai ser duro, existe um equilíbrio muito grande entre as equipes e nada está definido.
No México, mais uma vez, o resultado monstrou o quanto eu estava certo. Patrese e Mansell, em primeiro e segundo respectivamente, e eu obtendo uma terceira posição dolorida e trabalhada.
Terminei a prova com fortes dores nas costas-distendi um músculo violentamente com o esforço que tive de fazer
para levar o carro até o final. Estou cada vez mais convencido de que a Honda precisa desenvolver uma
versão melhor do motor. Os engenheiros japoneses estão conscientes disso e vêm trabalhando duro para aperfeiçoar o V 12
o mais rápido possível.
De qualquer forma, o terceiro lugar no México foi um resultado excelente e os pontos conquistados, importantíssimos
para o campeonato. Especialmente diante das circustâncias. Como vocês sabem, tive um acidente dias antes do GP,
quando andava de jet ski em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Foram necessários dez pontos para fechar o corte e durante a corrida, a dor incomodava bastante por causa do capacete e da pista ondulada e veloz do autódromo Hermanos Rodrígues.
No acidente, no treino de sexta-feira, cometi um erro e admito: entrei muito forte na curva e o carro tocou numa ondulação
no momento em que eu reduzia de sexta para quinta marcha. Como eu só tinha a mão esquerda no volante, não houve jeito de controlar o Mclaren.
Passei um susto danado. O acidente não foi grave, mas naqueles segundos, preso de cabeça para baixo dentro do cockpit,
fiquei com medo de que o carro pegasse fogo. A gasolina poderia vazar nas munhas costas. O maior problema era a falta de
espaço. Foi muito difício abrir o cinto de segurança e soltar o capacete. Era tudo tão apertado que precisei retirar o volante
antes mesmo de colocar a cabeça para fora do carro. Ao assistir a cena pela televisão, eu parecia um tatu saindo da toca.
Felizmente tudo acabou bem. Só espero que a gente consiga desenvolver o motor o suficiente para arrancar bons resultados
nas etapas seguintes e que, no nosso próximo encontro, eu traga notícias melhores".
Ayrton Senna
julho de 1991
fonte: 4 Rodas
edição 372-
postado por Lena Bello - 4:45 PM]
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Sexta-feira, Julho 16, 2004
HOJE EU ME DEI CONTA QUE TENHO UMA DÍVIDA COM VOCÊS, MEUS FIÉIS LEITORES, E COMIGO MESMA, QUE DISSE QUE POSTARIA TUDO QUE DIZ RESPEITO AO AYRTON, FALTOU...
OS TÍTULOS
1988 CAMPEÃO
GP Disputados: 16
Vitórias: 08 (San Marino, Canadá, EUA, Inglaterra, Alemanha, Hungria, Bélgica e Japão)
Pole Positions: 13 (Brasil, San Marino, Mônaco, México, Canadá, EUA, Alemanha, Hungria, Bélgica, Itália, Espanha, Japão e Austrália)
Pontos: 94 (noventa e quatro)
1990 BI-CAMPEÃO
GP Disputados: 16
Vitórias: 06 (EUA, Mônaco, Canadá, Alemanha, Bélgica e Itália)
Pole Positions: 10 (Brasil, San Marino, Mônaco, Canadá, Alemanha, Bélgica, Itália, Espanha, e Japão)
Pontos: 78 (setenta e oito)
1991 TRI-CAMPEÃO
GP Disputados: 16
Vitórias: 07 (EUA, Brasil, San Marino, Mônaco, Hungria, Bélgica e Austrália)
Pole Positions: 08 (EUA, Brasil, San Marino, Mônaco, Hungria, Bélgica, Itália, e Austrália)
Pontos: 96 (noventa e seis)
postado por Lena Bello - 1:51 PM]
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Quarta-feira, Julho 14, 2004
ABRINDO MAIS UM PARÊNTESES NOS POSTS DA "QUATRO RODAS", VOU POSTAR UM E-MAIL QUE RECEBI DE MAIS UMA PESSOA QUE CURTE O MEU BLOG E TORÇE PARA QUE ELE FIQUE MUITO TEMPO NO AR, SEU NOME: MARCEL PILATTI.
SENNA OU SCHUMACHER?
Acredita que Michael Schumacher é o melhor piloto de todos os tempos ? Mais do que isso, acredita
que ele é melhor do que Senna foi ? Cuidado !!!
Se você é um fã de ¿Schumy¿, ou simplesmente não
curte Ayrton, vai passar mal com as páginas que se
seguem... Agora se você for um fã do brasileiro, ou
simplesmente não curte o alemão, vai se deliciar com as
páginas seguintes... Não só isso, é o
grande piloto da história da Fórmula 1... O texto é fruto
de mais de um ano de pesquisas e fluxo de pensamentos...
Marcel Pilatti, em 07/11/03 (10 anos da última vitória de Senna, comemorativo).
Então por que seria a Fórmula 1, apenas a F-1, a ter essa resposta única?
São intermináveis as discussões nos bares, colégios, casas, clubes, etc. Nos últimos anos é só aquela ¿duplinha¿, SENNA E SCHUMACHER, sendo que existiu um piloto que tem a melhor performance ¿ Fangio, e outros antigos que não tem números tão impressionantes mas que foram igualmente excepcionais ¿ Clark e Moss, outros cinco que ganharam muito nos anos 70 e 80 ¿ Fittipaldi, Stewart, Lauda, Piquet e Prost, outro que impressionou muito, mas ganhou pouco ¿ Gilles Villeneuve, e houve um que talvez tenha sido decididamente o melhor, porém teve o ¿azar¿ de correr numa época onde ainda não havia campeonato ¿ Tazio Nuvolari... Para a mídia e para história o que conta mais é a quantidade e não a qualidade, exemplo de Fangio, pois praticamente nem se fala na excelente qualidade dos seus resultadoe sim, no número de vezes que foi campeão. Como também não interessa se ele ganhou com ajuda de outros pilotos e carros. O número de títulos sempre é o mais importante, como no caso de Fangio X Prost: O francês tem apenas um campeonato a menos que o argentino, porém tem 27 vitórias a mais... A realidade é uma só: Infelizmente, os dois maiores gênios (para mim os 2 únicos) da história da Fórmula 1, morreram ainda com muita coisa para conquistar nas pistas. Caso tivessem corrido mais alguns anos, certamente, estariam no topo das maiores estatísticas da categoria número 1 do esporte das 4 rodas: Jim Clark e Ayrton Senna. Eles não possuem os maiores números, mas aquilo que faziam nas pistas era incomparável e que, quaisquer outros pilotos, inclusive Fangio e Schumy (os maiores recordistas do automobilismo), não conseguiram mostrar... Senna ainda mais, somente por aquele Grande Prêmio da Europa em 93, uma corrida sem precedentes na história... foi mais importante que o ¿hexa¿ de Michael ou as ¿médias¿ de Juan Manuel... impossível !!!
Analise assim: Schumacher é hexacampeão (!!!) da F1, mais de 70 vitórias, mais de 1000 pontos. Como esportista, devo reconhecer que Schumy é superior ao Senna: o Jordan da F1.
Mas Senna fazia coisas inacreditáveis ao volante, como vencer só com a 6a marcha, largar em 16o e vencer ultrapassando todos, vencer de ponta-a-ponta sob dilúvio (não qualquer chuvinha), vencer 6 vezes em Mônaco (recorde), fazer 65 poles (recorde) vencer 19 corridas sem perder a liderança (recorde). Mas a sua maior façanha não está nos números: foi uma simples corrida em que ele ultrapassou todos na 1a volta, correu de pneus lisos na chuva, fez a melhor volta e pôs uma volta até o 2o (Schumacher era um deles) Europa 93 !
Como piloto, Senna é superior à Schumy: o Pelé da F1.
postado por Lena Bello - 2:57 PM]
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Sábado, Julho 10, 2004
CONTINUAÇÃO DAS ´MATÉRIAS QUE O SENNA ESCREVIA PARA "QUATROS RODAS".
SENTI MEDO AO PASSAR PELO PROST EM MÔNACO
"Este realmente está sendo um ano muito especial. Tudo tem dado certo para mim, e digo isso não me referindo apenas à Fórmula 1. Agora, é fantástica a sensação de vencer por três anos consecutivos o GP de maior prestígio do mundo.
A verdade é que sempre fui bem em Mônaco. Meu primeiro pódio, com a Toleman, em 1984, foi sob uma chuva torrencial. Uma emoção enorme, apesar de uma de pitada de frustração. Depois disso, fiz várias poles e liderei corridas, mas só fui vencer em 1987, com a Lotus-Honda de suspensão eletrônica. No ano seguinte - tenho certeza qeu você não esqueceu desta - cometi aquele erro incrível no final, o que me custou a vitória.
Hoje, porém, depois de três vitórias seguidas, estou totalmente refeito da derrota de 1988.
Monte Carlo é uma prova muito cansativa. Não é fácil a tarefa de sair na hora certa, encontrar uma pista limpa e manter a distância exata do guard-rail. Além disso os trabalhos começam dias antes, quarta-feira, e quando chega o domingo a exaustão é grande. Antes mesmo do GP eu já me sentia cansado, mesmo sabendo que tinha pela frente uma corrida de 72 voltas e mais de 3000 mudanças de marchas. Não é mole. Fiquei com um vergão enorme no meu ombre direito, de tanto o cinto de segurança roçar ali a a cada mudança.
O excepcional trabalho da minha equipe de mecânicos também foi fundamental para o resultado. No warm up, o motor do carro apresentou problemas e resolvi largar com o reserva. Os mecânicos tiveram, então, que trocar o câmbio e a suspensão entre os dois carros e deixar preparado o motor do carro titular, que ficaria para uma emergência. Toda a operação foi realizada a tempo, com uma eficiência exemplar.
Larguei bem e consegui manter a liderança na primeira volta. Apertei o ritmo com a pressão do modena e o mantive mesmo depois de abrir confortáveis segundos de vantagem. Quando vi Mansell ultrapassando Prost pelo telão na Saint Devote (estava na hora certa no lugar certo), me tranquilizei, pois o inglês não tinha nenhum ponto no campeonato e seria um risco grande para ele tentar se aproximar de mim. Depois, confesso que tive um pouco de medo de passar o Prost quando ele saiu dos boxes na minha frente. Nunca se sabe...
O final, entretanto, não poderia ter sido melhor. A emoção de vencer em Monte Carlo só pode ser igualada à minha vitória em Interlagos, este ano. Mônaco é a corrida mais complexa, a mais importante para qualquer piloto. A guerra psicológica é intensa. Há muita gente nos boxes, no paddock e nas ruas, o tempo todo. È como sentir a própria sombra. Mas vale a pena. E, no ano que vem, vamos para a quinta vitória".
Ayrton Senna
junho de 1991
fonte: 4 Rodas
Edição 371-
postado por Lena Bello - 2:14 PM]
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Segunda-feira, Julho 05, 2004
FAZENDO UM PEQUENO PARÊNTESES NOS POSTS DA QUATRO RODAS, VOU POSTAR UMA PASSAGEM DO AYRTON NO GP DO RIO DE JANEIRO.
Grande prêmio do Brasil - 1984
Rio de Janeiro, 25 de março
"São seis horas. O Intercontinental Hotel lhe deseja um bom dia. A temperatura é de 26 graus e a previsão é de tempo bom e dia ensolarado".
Ayrton Senna já estava acordado desde às 5 horas. Mesmo assim, respondeu a gravação da mensagem de bom-dia e pulou da cama. Chegara, enfim, o dia da estréia na Fórmula 1. E logo no Brasil, no autódromo de Jacarepaguá, Rio de Janeiro, circuito onde ele nunca havia competido.
Agora era fazer o máximo. E foi o máximo que ele vinha tentando -- e conseguindo -- há 16 anos, desde que havia começado a competir no kart.
A classificação não foi muito promissora. Ele esperava mais do que o 16o lugar, mas largou bem, ganhou três posições na primeira volta, chegou a ser o nono colocado, mas o turbo do motor Hart quebrou na oitava volta.
O dia no Rio de Janeiro realmente foi lindo e ensolarado, mas não para a estréia de Senna, e sim para Alain Prost, que venceu o GP do Brasil pela segunda vez consecutiva. O mesmo Prost que Ayrton enfrentaria no GP de Mônaco cinco meses depois, mas sob um temporal.
Por Lemyr Martins
postado por Lena Bello - 11:52 PM]
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Quinta-feira, Julho 01, 2004
ÍMOLA SAIU MELHOR QUE ENCOMENDA..
"Mais uma vez vou dizer para você como é difícil descrever o que estou sentindo, depois de vencer uma corrida em Ímola.
Em um fim de semana com tantos problemas, acabar com um resultado desses é gratificante.
Mais uma vitória, a terceira seguida, no início da temporada, um fato inédito em toda a história da Fórmula 1.
Meu objetivo nunca foi especificamente quebrar recordes, mas dar o melhor de mim a cada vez que me sento no cockpit de um F-1.Buscar sempre a vitória. Os recordes são consequênciadisso, um prêmio depois de tantas adversidades.
Em Phoenix, o carro era uma incógnita: no Brasil, todos testemunharam como foi dolorido. Sei que voce me entende quando digo como é difíci lexplicar o que estou sentindo neste momento, depois de uma vitória complicada.
Quando chegamos a Ímola, sabíamos que seria um fim de semana duro, pois, na verdade, tínhamos pouca informação sobre o carro nesta pista.
A neve da semana anterior, totalmente inesperada, tinha limitado muito nossos teste e estávamos numa situação delicada. Minha pole provisóriaf oi conseguida com a informação que eu tinha do treino da manhã e da minha primeira volta com os pneus de classificação.
Claro que eu fiquei satisfeito, mas também sabia que a chuva ameaçava tudo e que mesmo que eu mantivesse a primeira colocação no grid, minha sorte na corrida dependeria das mudanças do tempo.
Com a chuva de sábado eu garanti a 55º pole de minha carreira, a sétima no circuito de Ímola e a sexta consecutiva no campeonato. Mas eu tinha um problema enorme que era a falta de informação sobre o carro, além de ter rodado muito pouco na sábado
. No warm-up de domingo, o carro foi bem. Anova versão de motor V12, único que a Honda põde entregar para Ímola, ficou para mim por uma decisão da equipe que funcionou perfeitamente.
Na sexta-feira foi decidido que o piloto mais bem colocado no grid o usaria. Porém, quando estavamos todos. posicionados
para a largada, começou a chover forte e a loteria da corridaficou ainda mais acentuada. Claro que todos tivemos de trocar pneus, mas eu resolvi não modificar muito o acerto do carro. Fiz uma pequena alteração nos aerofólis e também fiz mudanças macânicas no carro. Mas meu acerto não nem para pista seca nem para molhada.
Com isso, o carro não teve um desempenho tão bom como se poderia esperar e eu tive de mudar meu traçado na pista para compensar essa perda. Tive problemas com a pressão do óleo e, como voce sabe, muita sorte em conseguir terminar a corrida. Fui salvo pelos problemas de freio do carro de Berger, que assim não pode me ameaçar.
No final, minha equipe ainda se atrapalhou nos boxes, mostrando a placa da última volta quando, na verdade, faltavam duas.
Fiqueisurpreso, mas sabia que, se o carro não tinha me deixado na mão até aquele pónto, ainda aguentária mais uma voltinha. E foi isso. Uma bela vitória, que ampliou naquele momento a vantagem no campeonato e colocou minha equipe muitos pontos a frente dos adversário".
Ayrton Senna
junho de 1991;
fonte: 4 rodas
edição:371
postado por Lena Bello - 1:30 AM]
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