AYRTON SENNA

Sobre o blog
Este blog foi criado em memória do maior corredor que o mundo já conheceu, Ayrton Senna. Serão postados textos e imagens, curiosidades e detalhes sobre a vida dele. Se você quiser colaborar enviando textos ou fotos, contacte-me pelo email lenabello27@hotmail.com

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Segunda-feira, Outubro 25, 2004

Continuação:Chris Schofield
SENNA TINHA DEUS AO SEU LADO, DIZ SCHOFIELD



Uma das recordações mais preciosas que Schofield tem de Ayrton Senna diz respeito à relação do piloto com a torcida brasileira. O mecânico afirma nunca ter presenciado nada parecido com as manifestações de carinho dos torcedores na arquibancada do Autódromo de Interlagos.
- Lembro de uma corrida no Brasil, com Senna na pole-position e o barulho das pessoas torcendo por ele... quanta energia. Nunca tinha visto tanto amor e dedicação dos fãs. Até hoje fico arrepiado quando penso nisso.
Das 35 corridas que Senna venceu pela McLaren, o Grande Prêmio da Europa de 1993, em Donington Park, é considerado especial por Chris Schofield. Muitos admiradores do tricampeão apreciam aquela prova por causa da performance do brasileiro na primeira volta, quando saiu da quinta posição para a liderança, ou por mais uma demonstração de sua habilidade na chuva. Mas o mecânico viu de perto outras dificuldades que Senna precisou superar para chegar em primeiro.
- No pitstop, um dos mecânicos, Gary Neal, esqueceu de levantar as mãos para nos mostrar que já tinha trocado seu pneu. Por alguns segundos, todos nós, inclusive Senna, ficamos olhando para ele, como se perguntássemos: 'O que está havendo?' E eu também tive um problema enquanto trocava meu pneu. Quando joguei o pneu no chão, o parafuso usado caiu ao lado do novo e eu me confundi, sem saber qual era qual. Tive que pegar cada um para separar o que estava quente e aí sim colocar o parafuso novo no pneu. Apesar de todos esses probleminhas, ele ainda ganhou a corrida - revela Schofield.
Dez anos após a morte de Ayrton Senna, Chris Schofield ainda se impressiona ao lembrar dos seis anos em que viu um dos maiores pilotos de todos os tempos em ação, no auge da forma física e técnica, escrevendo alguns dos grandes capítulos da história da Fórmula-1.
- Ele era uma pessoa especial. Costumavam dizer que Senna tinha Deus a seu lado. Honestamente, eu acredito nisso, pelas coisas que fazia. Acho que Senna tinha uma força interior que ele sabia usar sempre que necessário - resume Schofield.

postado por Lena Bello - 10:27 PM]



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Quinta-feira, Outubro 21, 2004

ÍDOLO FORA DAS PISTAS



Senna era definitivamente um ídolo de todas as gerações e em diversos países. A determinação e a constante busca pela perfeição faziam do piloto um exemplo a ser seguido por todos, tanto no Brasil quanto no exterior.
Ayrton era antes de tudo um apaixonado pelo Brasil. Após as vitórias na Fórmula-1, acostumou-se a desfilar com a bandeira do país nas mãos, mostrando ao mundo o orgulho de ser brasileiro:
- Brasileiro só aceita título se for de campeão. E eu sou brasileiro - disse uma vez.
Senna sempre sonhou em se tornar um vencedor nas pistas, mas ele também tinha outro ideal em sua vida: ajudar crianças e pessoas necessitadas. O piloto sério e concentrado das corridas, se derretia com o sorriso puro de uma criança e sempre mostrava preocupação com a desigualdade social.
- Se a gente quiser mudar alguma coisa, é pelas crianças que se deve começar, através da sua educação - dizia Ayrton.
Antes de morrer, o piloto pretendia fazer algo para ajudar a melhorar um pouco mais o Brasil. E foi atendendo ao desejo do irmão que Viviane Senna fundou o Instituto Ayrton Senna. Desde sua criação, em novembro de 1994, o instituto já ajudou quase 4 milhões de crianças e jovens por todo país.


postado por Lena Bello - 8:35 PM]



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Sexta-feira, Outubro 15, 2004

Ex-mecânico da McLaren lembra detalhes da carreira de Senna



Um décimo de segundo aqui, um décimo ali, outro ali...' Assim Ayrton Senna se preparava para conquistar mais uma pole-position. Um dos segredos da fantástica marca de 65 poles - um dos poucos recordes não batidos por Michael Schumacher na F-1 - era, além do talento natural, a dedicação do tricampeão para estudar cada ponto dos circuitos antes de entrar no carro. Detalhes observados de perto por quem trabalhou lado a lado com o brasileiro, como o ex-mecânico da McLaren Chris Schofield, um neozelandês de 50 anos que relembra com admiração particularidades dos bastidores da carreira do ídolo.
- Antes dos treinos classificatórios, ele pegava o desenho do circuito e ia apontando: 'Posso ganhar um décimo aqui, outro ali...' E ia fazendo isso em cada curva. E na maioria das vezes ele conseguia repetir na pista o que imaginava fora. Simplesmente impressionante - conta Schofield, que hoje é mecânico chefe da equipe PKV Racing, da Fórmula Cart, nos Estados Unidos.
Embora os números de títulos e vitórias de Schumacher sejam muito superiores aos de Senna e até mesmo o recorde de poles esteja ameaçado - o alemão já largou 58 vezes na frente -, Schofield não considera o hexacampeão um piloto tão completo como o brasileiro.
- Michael não tem competidores de verdade, tem? Ambos são muito bons e têm o dom de armazenar informações como um computador. Mas fazer o que Senna fez em Donington, dirigindo na chuva com pneus lisos, enquanto todos os outros trocavam para pneus de chuva, eu não acho que algum outro piloto conseguiria - observa ele, referindo-se à vitória de Senna no GP da Europa de 1993.

postado por Lena Bello - 9:17 PM]



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Terça-feira, Outubro 05, 2004





Segunda-feira, 2 de maio de 1994
Coração de Senna parou de bater às 13h40m
Celso Itiberê - Enviado especial

BOLONHA - O coração de Ayrton Senna parou de bater às 13h40m, horário de Brasília, depois de o piloto ter recebido a extrema-unção do padre Amadeo Zuffo, da paróquia de Ímola, que foi levado ao Hospital Maggiore de Bolonha por um jornalista italiano, Piergiorgio Massori, torcedor fanático do brasileiro. O tricampeão, porém, já havia sido dado como morto pela equipe médida às 13h, quando para verificar o quanto o cérebro estava afetado, foi realizado um eletroencefalograma.

Quando o exame terminou, a chefe do Centro de Reanimação e Anestesia, Maria Teresa Fiandri - pequena, olhos azuis, cabelos castanhos lisos e aparentando sempre grande tensão - anunciou:
- Não há mais esperanças. Ayrton Senna não tem mais respostas elétricas no cérebro. Em outras palavras, há morte cerebral, situação de coma irreversível e teoricamente de poucas horas de vida. Suas atividades cardíaca e circulatórias continuam, ele está sob a ajuda de aparelhos e não podemos desligá-los porque a lei italiana não permite.

Dois minutos antes do comunicado, chegou ao Hospital Maggiore, em helicóptero, o piloto Gerhard Berger, amigo e ex-companheiro de Senna na McLaren. Vinha do circuito de Ímola e trazia com ele o narrador Galvão Bueno e o empresário Antônio Carlos de Almeira Braga, que hospedava Senna em sua quinta todas as vezes que o tricampeão ia fazer testes ou correr no Estoril, em Portugal.

Eles foram se juntar ao irmão de Ayrton, Leonardo, que acompanhava o trabalho dos médicos na ante-sala do Centro de Reanimação. Ali estavam também Ubirajara Guimarães, sócio de Senna e Leonardo na importadora de carros Audi; Julius Beck, manager e homem que redigia todos os seus contratos; e Betise Assumpção, relações públicas do piloto. Todos eles haviam ido para o hospital num helicóptero conseguido por Bernie Ecclestone. O homem-forte da Fórmula-1, porém, não apareceu, nem ninguém da equipe Williams, que procurou se manter informada apenas pelo telefone.

Colocado no helicóptero que decolou da Curva Tamburello, Ayrton Senna chegou ao Hospital Maggiore exatamente às 14h44m. As informações dos médicos que o haviam atendido no circuito eram de quando os primeiros socorros chegaram ao Williams, Senna já estava em estado de coma e havia sofrido uma parada cardíaca. Foi reanimado e lhe fizeram uma pequena traqueostomia, a fim de facilitar sua respiração.

O quadro parecia gravíssimo. Ayrton foi levado a toda pressa para o Centro de Reanimação e Anestesia e só depois de aproximadamente uma hora a doutora Teresa Fiandri deu as primeiras informações:
- Senna tem gravíssimo trauma crâniano, está em coma hemorrágico e sofreu algumas paradas cardíacas. Seu estado é crítico - disse ela sem maiores rodeios.

postado por Lena Bello - 6:17 PM]



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