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Segunda-feira, Junho 13, 2005
Remendo fatal
(Ultima parte)
Eu podia continuar postando sobre esse assunto, mais por enquanto, vou parar por aqui.
São tantas opiniões que fica claro que isso ainda vai render muito.
A única coisa que temos certeza é que o Ayrton foi embora pra sempre.
Espero e peço a Deus que um dia tudo seja resolvido e que os verdadeiros culpados apareçam.
Bom, vamos a última parte.
Os médicos legistas admitem que, mesmo com a velocidade com que foi jogado contra o muro, Senna ainda assim poderia Ter sobrevivido. O carro formava um ângulo de 22 graus com o muro, o que consideram bom, pois o impacto não foi frontal. A fatalidade ocorreu no momento em que o braço da suspensão foi arremessado contra o piloto como uma lança, atravessou a viseira do capacete e provocou um afundamento do crânio na altura do supercílio direito. A força brutal do braço da suspensão, aliada ao peso da roda, jogou a cabeça do piloto para trás. O choque contra a proteção traseira do cockpit causou, segundo os médicos legistas, a fratura da base do crânio e de várias vértebras cervicais. A forma da haste de metal coincide exatamente com o tipo de buraco deixado na frente do capacete de Senna. Ainda todo ensangüentado, ele está guardado numa sala da sede da Polizia Stradale, em Bolonha. A parte de trás do capacete apresenta uma grande rachadura circular, causada pelo golpe contra a proteção atrás do cockpit.
Logo que examinaram Senna, instantes após sua chegada ao hospital, os médicos italianos achavam que ele não poderia ter sobrevivido, em conseqüência da violenta desaceleração. O laudo dos legistas, apresentado em 7 de maio de 1994, apenas uma semana depois da tragédia, muda esse quadro. Não fosse a pancada do braço da suspensão em sua cabeça, Senna provavelmente teria escapado. Fora a série de traumatismos cranianos provocados pelo braço da suspensão, nenhum outro órgão vital do piloto apresentava ferimentos graves. O laudo dos legistas reforça também a tese da Williams, segundo a qual mesmo uma grave falha mecânica eludiria conseqüências fatais, não fosse a fatalidade de um braço de suspensão, acoplado a um pneu, voando em direção ao piloto e o atingindo no único ponto vulnerável do capacete.
O juiz Maurizio Passarini, encarregado da instrução do processo sobre a morte do piloto brasileiro, notificou judicialmente doze pessoas, cuja responsabilidade no acidente está sendo investigada. Entre os notificados estão o dono da equipe inglesa, Frank Williams e o projetista do carro, Patrick Head. Ao juiz cabem agora duas alternativas: arquiva o caso ou continua o processo, abrindo a via para que os eventuais culpados sejam incriminados.
Até quando vamos ter que esperar pela justiça.
postado por Lena Bello
[1:54 AM]
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Sábado, Junho 04, 2005
(CONTINUAÇÃO)
Remendo fatal (Parte 2)
A comprovação da quebra da barra de direção.
A comprovação da suspeita inicial foi feita por meio de exame da peça em um microscópio eletrônico - o Scanning Electronic Microscope, conhecido pela sigla Semi -, que mostrou sinais de "fadiga" no metal da haste da direção. Esse lado da investigação, a cargo de um ex-diretor de competição da Ferrari, Mauro Forghieri, e do presidente da Faculdade de Engenharia da Universidade de Bolonha, Enrico Lorenzini, avançou rapidamente. Menos de dois meses depois da morte, já havia testes de laboratório comprovando que a coluna de direção se quebrou antes da batida do carro contra o muro, e não depois. Os peritos, no entanto, aprofundaram a investigação, para provar que nenhuma outra causa poderia ter sido tão decisiva no acidente. Ou seja, dedicaram-se a eliminar hipóteses. As imagens de vídeo produzidas por câmaras dentro e fora do carro e os dados eletrônicos transmitidos de diversos sensores no carro para a equipe no boxe - a telemetria - provaram apenas que tudo funcionava quando a Williams se espatifou contra o muro.
No caso, "tudo" significa as partes do carro monitoradas eletronicamente - rotação do motor, temperatura, pressão do óleo, consumo de gasolina, além de velocidade e comportamento da suspensão.
O estado do asfalto na curva Tamburello, uma das hipóteses iniciais para explicar o acidente, foi descartado depois que técnicos da polícia rodoviária e da Universidade de Bolonha colocaram algumas máquinas na pista de Imola, que permaneceu interditada até outubro daquele ano.
Realizadas com aparelhos ingleses, medições no local apontaram que a pista oferecia excelente aderência e não apresentava ondulação. "As marcas de batidas no chão que encontramos naquele trecho da pista não eram fortes o suficiente para explicar nenhuma quebra mecânica", diz o professor Alberto Bucchi, chefe do Instituto de Infra-Estrutura Viária e Geotécnica da Universidade de Bolonha, responsável pelo exame da pista de Imola. As medições feitas no local comprovam também que não havia problema com os pneus. Eram visíveis as marcas de freada, que teriam sido impossíveis caso os pneus tivessem apresentado qualquer defeito anterior ao choque.
Os dados da telemetria foram conclusivos em dois outros pontos, relevantes para entender o comportamento do piloto nos instantes que precederam a batida: Senna aliviou o pé do acelerador, reduzindo sua pressão em cerca de 40%, quando nada havia à sua frente que pudesse justificar essa atitude. A seguir, pisou violentamente no freio, provocando urna desaceleração brutal, calculada pela própria Williams em cerca de 4 g - cada "g", ou gravidade, eqüivale uma vez ao peso do corpo. A freada reduziu a velocidade de 310 para 216 quilômetros por hora em 1 segundo e 3 décimos. Frear numa curva na qual os pilotos costumavam passar em sexta marcha pisando ao máximo no acelerador significava que esse era o único, e desesperado, recurso de um profissional hábil como Senna para tentar escapar de uma situação de emergência. A constatação é reforçada pelas imagens de vídeo. Na câmara colocada dentro do carro, a mão de Senna tenta uma correção de trajetória para a esquerda, mas as rodas permanecem retas, perfeitamente alinhadas. Em outras palavras, o volante já não agia sobre o carro, e o freio era última escapatória.
postado por Lena Bello
[1:03 AM]
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Quarta-feira, Junho 01, 2005
PRETENDO DEDICAR OS PRÓXIMOS POSTS AO ACIDENTE
QUE MATOU O SENNA.
ANALIZAREMOS OS DADOS E FAREMOS O NOSSO PRÓPRIO JULGAMENTO.
Remendo fatal (Parte 1)
Quando Ayrton Senna virou o volante para a esquerda na curva Tamburello, no autódromo
de Imola, na Itália. A coluna de direção da Williams-Renault
quebrou-se, Senna ficou sem nenhum controle sobre sua máquina.
Tirou o pé do acelerador, brecou em seguida, mas não houve jeito.
A coluna de direção partiu-se devido ao trabalho inepto da
equipe da Williams, responsável por um remendo grosseiro
na peça, que não suportou, o esforço ao qual foi submetida.
Ao menos em teoria, Senna poderia ter escapado com vida, não
fosse a seqüência de fatalidades que se desencadeou a partir
da peça mal soldada. Com a violência da batida, a suspensão
dianteira direita quebrou-se.
Um dos braços da suspensão,
uma haste de metal longa e fina, ainda presa à roda, foi
arremessada contra a cabeça do piloto como uma lança e
perfurou seu capacete exatamente no ponto de junção da viseira.
Além do buraco que lhe abriu na altura do supercílio, afundando
o cérebro, o impacto da baste de metal, com a roda junto, provocou
fraturas na base do crânio. As lesões foram mortais.
Marcello Gentile, chefe da Polizia Stradale, uma polícia
rodoviária que executa também as tarefas de polícia técnica.
Dois dias depois do acidente, revendo as imagens da televisão,
Gentile notou que o volante e um pedaço da coluna de direção -
aquele cano comprido que transmite o movimento giratório do
volante para as engrenagens que fazem as rodas mudar de
trajetória - estavam ao lado do carro acidentado enquanto
Senna era atendido pelos médicos.
Só então ficou sabendo que,
para sair rapidamente do carro, os pilotos podem remover o
volante, mas nunca se desloca a coluna de direção.
"Naquele instante não tive mais dúvida de que a causa
do acidente teria de estar relacionada com aquela coluna
de direção, partida de maneira tão limpa", diz Gentile.
postado por Lena Bello
[2:43 PM]
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